Segundo nossa autora e especialista em educação, Ana Carolina Dorigon, o Letramento Matemático está ligado à resolução de problemas, uma perspectiva necessária que evidência e impulsiona em sua base. Essa estratégia poderosa não só ensina matemática, mas também desenvolve habilidades cognitivas essenciais, como o planejamento, o controle inibitório, a memória de trabalho e o foco atencional.
O Letramento Matemático convida os estudantes a se conectarem com necessidades do mundo real por meio de situações problemas, ou seja, narrativas vividas por eles eu seu cotidiano, o que potencializa o aprendizado, uma vez que demonstra a aplicação prática do conhecimento.
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Vamos conhecer as habilidades cognitivas do Letramento Matemático:
Planejamento: resolver um problema exige pensar antes de agir, organizar os passos e encontrar uma estratégia. É aqui que a função executiva de planejamento é ativada, ajudando os estudantes a desenvolverem um raciocínio estruturado.
Controle inibitório: às vezes, as soluções não são imediatas. Mas os estudantes estão acostumados ao imediatismo. E quando eles têm a oportunidade de esperar para refletir, estão praticando o autocontrole, o controle inibitório. Assim, eles aprendem a não agir por impulso, o que fortalece a tomada de decisão, tendo novamente a oportunidade de analisar as situações de uma forma mais atenta, olhando para os detalhes.
Memória de trabalho: durante a resolução de problemas, a memória de trabalho permite que o aluno armazene e manipule informações temporárias enquanto trabalha na solução. Isso fortalece tanto a habilidade de organizar como também a de manter o foco em várias informações nas quais ele está trabalhando simultaneamente. Isso é algo crucial na vida cotidiana e para o futuro, tendo em vista a atuação em diferentes áreas profissionais.
Foco atencional: é o que permite aos estudantes concentrarem as informações mais relevantes, e é primordial para que a aprendizagem aconteça de forma eficaz. Em um mundo cada vez mais cheio de estímulos, desenvolver essa habilidade é um dos maiores desafios, mas também um dos maiores ganhos aos estudantes.
A resolução de problemas não é só para ensinar a matemática abstrata, mas também para ajudar crianças e adolescentes a perceberem como matemática está presente em todas as situações da vida. Para ter uma prova disso, basta perguntar a seus estudantes como calcular o valor de uma compra no supermercado, o tempo de viagem para o evento ou até como dividir o orçamento para um projeto escolar. Todas essas são decisões que envolvem a matemática.
Quando aplicada dessa forma, a matemática ganha um novo significado e deixa de ser algo distante, tornando-se uma ferramenta útil e necessária no dia a dia. E quando usamos também a tecnologia nesse processo, as possibilidades aumentam. Experimente utilizar jogos educativos para engajar, fazendo com que eles exercitem as suas funções executivas enquanto jogam, se desafiam e resolvem os problemas.
Dessa forma, ao adotar a resolução de problemas como uma metodologia ativa de ensino, não estamos apenas reproduzindo questões da educação matemática, mas também desenvolvendo habilidades cognitivas essenciais e valiosas para a vida dos estudantes.